Protocolo de Conduta Clínica - DIARREIA NEONATAL


Informações Gerais



Tipo de Conteúdo: Protocolo - Conduta Clínica


Categoria: Clínica médica de grandes animais


Emergencial: Sim


Espécies: Bovinos


Palavras-Chave: Bezerros, Fezes, Enteropatógenos








Resumo: 


A diarreia neonatal, especialmente nas raças leiteiras, apresenta maior ocorrência nos bezerros machos, devido ao seu baixo valor zootécnico. Pode ocorrer por motivos nutricionais ou infecciosos. 





O desenvolvimento da resposta imune dos bezerros, dependente da transferência de imunidade passiva via colostro materno, que é composto por fatores nutricionais e elementos imunoprotetores solúveis e celulares, capazes de conferir imunidade contra uma variedade de micro-organismos patogênicos. Os fatores de risco estão relacionados principalmente com o manejo sanitário dos recém-nascidos.








Introdução à Doença / Importância: 



A diarreia é a excreção de fezes com quantidades excessivas de água. Pode ocorrer por causa nutricional ou infecciosa. Os principais agentes infecciosos que acometem bezerros jovens são: Escherichia coli, Salmonella spp., Clostridium perfringens (bacterianas); Rotavírus, Coronavírus, Adenovírus (virais) e Crysptosporidium spp. e Eimeria spp. (parasitária). Os fatores de risco estão relacionados ao número de animais, manejo sanitário e a não realização de quarentenas em novos animais inseridos na propriedade.








Mais comum em quais raças/sexo/idade?





Em raças leiteiras, mais comum nos bezerros machos, principalmente neonatos (até 28 dias de idade).








Diagnóstico Clínico: 



O quadro clínico depende principalmente da intensidade da desidratação dos bezerros (quadro 01), decorrentes da perda de líquido pelas fezes (pastosa a aquosa).





Graus de desidratação segundo Feitosa





Graus de desidratação segundo Feitosa





O tratamento das diarreias é sintomático, podemos avaliá-los segundo escores estabelecidos por McGuirk





Escore de fezes segundo McGuirk





Escore de fezes segundo McGuirk





Diagnóstico por Exames: 



Para a determinação do agente etiológico deve-se realizar a colheita das fezes diretamente da ampola retal, utilizando-se luvas estéreis. As fezes devem ser acondicionadas em coletores estéreis e encaminhadas para pesquisa de bactérias (cultura bacteriológica), vírus (virologia), Cryptosporidium spp.; e Eimeria spp. (Contagem de oocistos por grama de fezes). As fezes devem ser mantidas sob refrigeração (4-8°C) e encaminhadas ao laboratório no prazo máximo de 48 horas.








Diagnóstico Diferencial: 



A faixa etária das bezerras acometidas pode sinalizar para potencial agente etiológico.





Escherichia coli: faixa etária acometida de 1 a 3 dias de idade; diarreias aquosas e amareladas, desidratação intensa, hipotermia, fraqueza, com 1-3 dias de vida;





Cryptosporidium spp. e virais (Rotavírus e Coronavírus): faixa etária acometida 4-11 dias de idade, diarreia mucóide, febre e dores abdominais.








Salmonella spp.: idade superior a 11 dias, diarreia líquida com estrias de sangue e febre .








Eimeria spp.: idade superior a 18 dias, diarreia enegrecida com sangue, mucóide e febre.








Tratamento Terapêutico: 



O tratamento é sintomático, quando apresentam fezes pastosas, ausência de febre e desidratação é indicado o uso de probiótico em pasta, 4 g/animal, via oral durante três dias; diarreia líquida, sem febre - Enrofloxacina em pasta 2,5 mg/kg, via oral por três dias. Carvão ativado (1-3 g/kg) associado com 50-200 g de Caulim, diluídos em água, via oral; diarreia profusa, fezes amareladas, odor fétido e febre - Sulfadoxina e Trimetoprim, IM, SID, na dosagem de 10 mg/kg por animal durante três dias; como antipirético e analgésico, Dipirona sódica, IM, SID, até melhora dos sinais clínicos; fezes com melena, sem diarreia - Flunixina meglumina IM, 2,2 mg/kg,única aplicação.








Em todos os casos, realizar hidratação via sonda oroesofágica (2L ou mais, de acordo com o grau de desidratação).








Complicações: 



Septicemias, poliartrites, uveítes, dentre outros.








Referências: 



Radostits OM, Gay CC, Blood DC, Hinchcliff KW. Clínica Veterinária: um tratado de doenças dos bovinos, ovinos, suínos, caprinos e eqüinos, 9ª ed. Guanabara Koogan, Rio de Janeiro, 2002. 





Radostits OM, Gay CC, Blood DC, Hinchcliff KW, Constable PD. Veterinary Medicine: a textbook of diseases of cattle, horses, sheep, pigs, and goats. 10th ed. Saunders Elsevier, Philadelphia. 2007.





Guilliksen SM, Jor E, Lie KI, Hammes IS, Loken T, Åkerstedt J, Osteras O, 2009. Enteropathogens and risk factors for diarrhea in Norwegian dairy calves. American Dairy Science Association; 92:5057–5066. doi:10.3168/jds.2009-2080.





Feitosa FLF. Semiologia Veterinária: a Arte do Diagnóstico. 2. Ed. São Paulo: Roca, 2008.





Mc Guirck SM. Disease management of dairy calves and heifers. 2008. Veterinary Clinics of North America: Food Animal Practice. 24:139–153. doi:10.1016/j.cvfa.2007.10.003.


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